Nepal pede apoio internacional após enxurrada deixar 680 mortos
Chuva, nevoeiro e risco de novas inundações interromperam temporariamente buscas por cerca de 3 mil desaparecidos na fronteira com o Tibete.
As operações de resgate no Nepal foram temporariamente suspensas neste sábado, 29 de agosto, devido à chuva, ao nevoeiro e ao risco de transbordamento de um lago formado após a enxurrada que atingiu a fronteira com o Tibete.
As autoridades procuram cerca de 3 mil desaparecidos. Segundo a BBC, a região transformou-se num pântano depois de o colapso de um glaciar, na quarta-feira, lançar água, gelo, lama, rochas e detritos sobre rios, encostas, localidades e infraestruturas.
O balanço provisório de Nepal e China aponta para aproximadamente 680 mortos nos dois lados da fronteira. A dimensão total dos danos ainda não foi determinada.
Três dias depois do desastre, alguns corpos recuperados já estavam em decomposição. As autoridades informaram que fariam os sepultamentos depois das formalidades legais e da recolha de ADN.
O ministro dos Negócios Estrangeiros do Nepal, Shisir Khanal, reconheceu que o país tem capacidade limitada para preservar cadáveres e pediu instalações mortuárias e meios médico-legais. Também solicitou tecnologias para localizar sobreviventes e escavar túneis.
Khanal disse que a prioridade imediata continua a ser salvar o maior número possível de pessoas. O governo dirigiu pedidos específicos a países e organizações capazes de fornecer equipamento e apoio técnico.
Para a fase de recuperação, o ministro estimou custos de vários milhares de milhões de dólares. O Nepal pretende avaliar perdas e danos antes de organizar a reconstrução e pediu assistência da comunidade internacional, negando ter recusado ajuda externa.
A União Europeia anunciou dois milhões de euros de apoio. O Reino Unido prometeu cinco milhões de libras, equivalentes a 5,8 milhões de euros, e o Canadá disponibilizou cinco milhões de dólares canadianos, cerca de 3,1 milhões de euros, para os esforços de emergência.
O país enfrenta dificuldades económicas e depende fortemente do turismo e das remessas enviadas por nepaleses que trabalham no estrangeiro, fatores que aumentam o desafio da reconstrução.
Em Katmandu, familiares de desaparecidos reuniram-se diante do Campus Médico de Maharajgunj, para onde alguns corpos foram transportados. Fotografias das vítimas foram expostas em portões e muros para ajudar na identificação.
Entre os estrangeiros ainda incontactáveis estão três portugueses. O Ministério dos Negócios Estrangeiros em Lisboa havia sinalizado seis cidadãos e confirmou posteriormente a localização de três deles.
Equipes tentam retirar mais de 100 trabalhadores presos num túnel da obra da barragem hidroelétrica de Trishuli. Socorristas recorreram a cestos e cordas, mas a presença de uma camada de lama com 1,2 a 1,5 metro dificulta o acesso.
Uma equipa indiana de 11 especialistas em reconhecimento técnico e resgate em túneis foi mobilizada. Outra equipa da China deverá juntar-se aos trabalhos, segundo comunicado governamental citado pela Reuters.
K.Adams--MC-UK