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Argentina vai restituir herdeira de quadro de galerista judeu roubado por nazistas
Argentina vai restituir herdeira de quadro de galerista judeu roubado por nazistas / foto: MARA SOSTI - AFP

Argentina vai restituir herdeira de quadro de galerista judeu roubado por nazistas

A Justiça argentina ordenou, nesta sexta-feira (4), a restituição para a única herdeira de um galerista judeu holandês de um quadro roubado pelos nazistas e encontrado no ano passado em uma residência na cidade de Mar del Plata, ao sul de Buenos Aires.

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"Retrato de uma dama" estava em poder de Patricia Kadgien, filha de Friedrich Kadgien, falecido na Argentina em 1978 e apontado como o 'mago das finanças' das SS, a força paramilitar do regime nazista durante a Segunda Guerra Mundial.

O juiz federal Santiago Inchausti informou que "será ordenada a restituição do quadro à herdeira", segundo um acordo entre as partes um ano depois de a tela a óleo do italiano Giuseppe Ghislandi (1655-1743) ter sido identificada na foto de um anúncio imobiliário após décadas de buscas.

Patricia Kadgien e seu marido, Juan Carlos Cortegoso, tinham sido acusados de acobertamento e foram colocados em prisão domiciliar depois que o jornal holandês AD identificou a obra em uma foto na qual o quadro aparecia sobre um sofá verde.

A tela pertencia ao galerista Jacques Goudstikker, cuja coleção foi saqueada durante a ocupação nazista nos Países Baixos na Segunda Guerra Mundial.

- Acordo e devolução -

O acordo determina que o casal aceita devolver o quadro à nora e única herdeira de Goudstikker, Marei von Saher, e que não o reivindicará judicialmente.

"Os investigadores se comprometeram fundamentalmente à renúncia a todo o direito sobre o quadro, que será restituído à família do galerista", explicou à AFP o promotor federal Carlos Martínez.

A obra "está em bom estado de conservação e as perícias deram certeza da autenticidade", acrescentou o promotor.

Outras peças de arte apreendidas na residência "não têm valor histórico, a maioria era de réplicas e nos casos em que eram autênticas, não procediam do espólio e eram posteriores ao período da guerra, portanto foi acordada a devolução para a família", disse Martínez.

O acordo judicial também estabelece um pagamento de 4,8 milhões de pesos argentinos (aproximadamente 16.305 reais), que serão destinados em doação para hospitais locais.

O quadro está sob o resguardo da Suprema Corte argentina e ali os procuradores de Von Shaer deverão iniciar os trâmites para que volte à família proprietária antes do espólio, segundo a investigação.

A princípio, a defesa judicial dos Kadgien tentou argumentar que o crime tinha prescrito.

No entanto, os crimes enquadrados no contexto de um genocídio não prescrevem, segundo a legislação argentina e o direito internacional.

Milhares de nazistas cruzaram o Atlântico após a guerra e muitos se esconderam no Chile e na Argentina.

- Possível exposição -

O quadro pode ter um destino transitório na Argentina em uma exposição a título de conscientização.

"A intenção da família é que seja exibido em Buenos Aires por pelo menos um ano", disse à AFP Guillermo Brady, advogado de Saher.

Embora ainda não tenha sido determinado onde e quando o quadro ficaria exposto ao público, Brady informou que "há conversas com o Museu do Holocausto, com o de Belas-Artes e com o Ministério de Relações Exteriores, que também lhes interessa".

W.Dixon--MC-UK