Morning Chronicle - 'Au-Au', exclamam os clientes dos novos cafés da moda em Paris

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'Au-Au', exclamam os clientes dos novos cafés da moda em Paris
'Au-Au', exclamam os clientes dos novos cafés da moda em Paris / foto: Xavier GALIANA - AFP

'Au-Au', exclamam os clientes dos novos cafés da moda em Paris

Em um sofá confortável, uma parisiense elegante saboreia até a última migalha um biscoito macio em um café da moda na capital francesa. Uma cena comum, se não fosse por um detalhe: a cliente tem quatro patas e late.

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Loulou, uma Spitz Alemã anã de pelo branco esvoaçante, solta um "Au-Au" entusiasmado depois de devorar o "Merveilleux" de cinco euros (29,55 reais), um biscoito composto por finas camadas de purê de banana, cream cheese, maçã e carne bovina.

A cachorrinha de um ano é cliente habitual dessa confeitaria canina, onde os quitutes expostos em um balcão de vidro — como o "Le Mignon", em formato de coração e feito com batata-doce, cream cheese e mirtilos — poderiam fazer salivar até mesmo os humanos.

Sua proprietária, a francesa Clara Zambuto, explica que adotar Hulk, seu Spitz Alemão anão de três anos, a inspirou a abrir essa confeitaria, onde cães e humanos podem fazer uma refeição juntos.

"Muitas vezes eu saía para passear com ele (...) Entrávamos em um café, como uma boa parisiense, mas ele logo se entediava", lembra a proprietária da Casa del Doggo, de 26 anos. "Pensei que era uma pena não haver lugares em Paris onde, enquanto você toma um café rápido, possa dar um agrado ao seu animal de estimação", afirma.

"Hoje em dia, nosso cachorro é quase como nosso filho, queremos levá-lo a todos os lugares", acrescenta.

A confeitaria é um dos vários estabelecimentos voltados para cães que estão surgindo na capital francesa, onde se calcula que vivam cerca de 100.000 cães.

- "Nada de chocolate" -

Zambuto começou a preparar os petiscos em casa, antes de contar com a ajuda de um confeiteiro profissional. Mas sem "nada de chocolate, nada de abacate, nada de uvas e nada de cebola", ressalta, já que esses alimentos são tóxicos para os cães.

Como acontece com os humanos, a moderação é essencial para evitar o ganho excessivo de peso, explica Lolita Sommaire, veterinária especializada em nutrição canina e felina.

"Se eles forem a uma confeitaria, é preciso ajustar a refeição seguinte, reduzi-la um pouco ou fazer com que façam mais exercício", mas "se é uma vez por mês, não tem problema", explica.

Em outro café para cães, eles circulam por um terraço com bancos, e alguns mordiscam petiscos em forma de "croissant" e "baguette" que custam quatro euros (23,24 reais).

Marley, um pastor americano com boina vermelha, lambe uma sobremesa cremosa em uma taça prateada.

Para a americana Rebecca Anhalt, a decisão de abrir seu café Bone Appart, onde "os cães são os reis", surgiu depois que ela levou uma multa pesada por deixar solto em um parque Napoleão, seu whippet de cinco anos.

"Eu queria criar um lugar onde as pessoas pudessem vir sem medo (...) de serem repreendidas por estarem com seu cão", acrescenta a proprietária do local, cujo nome é um trocadilho com o sobrenome do imperador francês Napoleão Bonaparte.

- "Conexão" -

Embora Paris conte com cerca de cinquenta parques para cães onde eles podem passear sem coleira, o coletivo de associações Paris Condition Canine os considera "insuficientes, desigualmente distribuídos e às vezes pouco adequados".

Os cães foram inclusive tema de campanha nas eleições municipais de março: o novo prefeito de Paris, Emmanuel Grégoire, dedicou a eles uma conta no Instagram, e sua adversária, Rachida Dati, ofereceu "aperitivos caninos".

Para Sarah Elgamal, a autodenominada "mãe" de Loulou, as visitas à confeitaria oferecem algo mais do que guloseimas: são uma oportunidade para estreitar laços com sua cachorrinha. "Melhora a nossa conexão, porque nós duas estamos em um terceiro lugar que não é nem o trabalho, nem a casa", afirma a farmacêutica de 32 anos.

E embora os cães sejam a prioridade em seu café, Anhalt ressalta que muitos visitantes também vão até lá para socializar com outros tutores de animais de estimação: "Os cães são um ótimo ponto de conexão".

Um cliente habitual e seu cão salsicha de 17 anos, recém-chegados a Paris, vão todos os dias para "conhecer gente", conta ela. Afinal, "você acaba falando com qualquer pessoa sobre o seu cachorro".

A.Atkinson--MC-UK