Zuckerberg e Musk defendem centros de dados de IA
Os empresários Mark Zuckerberg e Elon Musk ressaltaram nesta terça-feira (1º) a necessidade de novos centros de dados de inteligência artificial (IA) e de energia elétrica para mantê-los, durante uma reunião de ministros da Tecnologia do G20 nos Estados Unidos.
Os empresários participaram remotamente do encontro organizado pela Casa Branca, focado nas disrupções e oportunidades trazidas pela IA e dedicado a manter essa revolução tecnológica em grande parte livre de normas e supervisões governamentais.
As conversas ocorreram em meio a críticas crescentes à construção de centros de dados de IA nos Estados Unidos, questão que se tornou um tema-chave da campanha para as eleições americanas de meio de mandato, no fim do ano.
Segundo o chefe da Meta, a construção da infraestrutura de IA exigiria "centenas de milhares, talvez milhões, de postos de trabalho" em funções especializadas, "simplesmente porque a demanda por data centers é enorme". "Basicamente, o que descobrimos na Meta é que não conseguimos encontrar os profissionais qualificados de que precisamos para construir os centros de dados que nós, como empresa, tentamos construir."
Elon Musk, por sua vez, destacou a grande quantidade de energia que os centros de dados de IA exigem, e alertou para uma "crise energética" que dá à China uma vantagem. "Haverá uma escassez de energia importante no próximo ano, não em um futuro distante", advertiu, acrescentando que sua empresa está construindo a capacidade de geração de energia necessária para acompanhar a expansão dos centros de dados.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, atacou ontem os críticos dos centros de dados de IA. Pesquisas mostram que a maioria dos americanos se opõe à sua construção, em meio a queixas sobre o aumento da conta de luz e o barulho gerado. Musk, no entanto, afirmou que a IA fará a economia mundial crescer entre 20% e 30%.
Em outra participação remota, o chefe do Google DeepMind, Demis Hassabis, afirmou que alcançar uma IA de nível humano teria um impacto dez vezes maior que o da Revolução Industrial. "É uma oportunidade enorme que precisamos aproveitar, mas temos que fazê-lo de forma responsável."
- Questão regulamentar -
Elon Musk também pediu cautela na regulamentação da tecnologia e da IA, e ressaltou que as normas no estilo europeu freiam a inovação.
A reunião aconteceu em meio a um debate global sobre como os governos devem lidar com as promessas e os riscos da IA. O governo americano defende uma abordagem sem intervenção, o que deixaria o setor responsável por sua própria regulamentação, apesar dos riscos e da intensa disputa entre as empresas pela liderança no desenvolvimento da IA.
Diante dos ministros de França, Itália e Alemanha e da responsável pela área de tecnologia da União Europeia (UE), Musk criticou as políticas do bloco que afirmou dificultarem o desenvolvimento tecnológico.
"É preciso ter um ambiente relativamente livre de regulamentação, o que significa que coisas novas devem ser legais por padrão, em vez de ilegais por padrão", afirmou Musk. "Na UE, por exemplo, vemos um nível extraordinariamente alto de regulamentação, e as coisas são, em geral, ilegais por padrão, o que freia o avanço das novas tecnologias."
A reunião na cidade americana de Chapel Hill foi organizada pelo diretor do Escritório de Política Científica e Tecnológica da Casa Branca, Michael Kratsios, e pelo secretário de Comércio, Howard Lutnick. Amanhã, Jensen Huang, da Nvidia, e Sam Altman, da OpenAI, devem participar presencialmente de conversas informais separadas com Lutnick.
V.Ratliff--MC-UK