Cruzeiro afetado por surto de hantavírus chega a Roterdã e encerra viagem
O cruzeiro que provocou alerta mundial por um surto de hantavírus atracou nesta segunda-feira (18) no porto de Roterdã, com um número reduzido de tripulantes que devem cumprir uma quarentena de várias semanas.
O MV Hondius, que partiu em 1º de abril de Ushuaia, no extremo sul da Argentina, em direção a Cabo Verde, sofreu um surto de hantavírus, com três casos fatais.
O navio atracou no porto de Roterdã, o maior da Europa, onde será submetido a um procedimento de desinfecção e limpeza.
Vinte e sete pessoas permanecem a bordo, incluindo 25 membros da tripulação e dois integrantes da equipe médica do navio, que pertence à empresa holandesa Oceanwide Expeditions.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que o surto não é comparável à pandemia de covid-19.
"O risco para a saúde pública foi reavaliado à luz das informações mais recentes disponíveis, e o risco global continua baixo", anunciou a OMS em um boletim publicado algumas horas antes da chegada do navio a Roterdã.
A OMS acrescentou que "embora outros casos possam continuar a surgir entre os passageiros e membros da tripulação", o risco de transmissão "deverá diminuir após o desembarque e a aplicação de medidas de controle".
O vírus tem um período de incubação de várias semanas, o que significa que ainda podem surgir mais casos.
Até o momento, foram confirmados ao menos sete casos positivos e há outro caso provável, segundo um balanço da AFP baseado em informações oficiais.
No Canadá, uma passageira do cruzeiro em quarentena teve resultado "supostamente positivo para o hantavírus cepa Andes", informou no sábado a Agência de Saúde Pública do país.
- Isolamento e repatriação -
Mais de 120 passageiros e tripulantes foram retirados do navio e repatriados para seus países de origem ou para os Países Baixos, que assumiram uma responsabilidade especial, já que a embarcação tem bandeira holandesa.
Duas pessoas – um holandês e um britânico – foram levados em caráter de emergência para os Países Baixos, onde foram hospitalizadas. Os dois permanecem em condição estável e o cidadão britânico pode ser repatriado em isolamento, indicaram as autoridades holandesas.
Todas as outras pessoas retiradas do navio e levadas para os Países Baixos testaram negativo para o vírus. Alguns permanecem em quarentena e outros já retornaram para seus países.
Todas as pessoas a bordo são assintomáticas, segundo a Oceanwide Expeditions, e estão sendo monitoradas de perto pelos dois membros da equipe médica a bordo.
- A cepa Andes -
As pessoas que desembarcarão nesta segunda-feira são 17 filipinos, quatro holandeses — dois tripulantes e dois profissionais da equipe médica —, quatro ucranianos, um russo e um polonês.
Alguns permanecerão em quarentena no porto e outros poderão cumprir o isolamento em suas residências.
O corpo de uma alemã que morreu durante a viagem permanece no navio.
A embarcação passará por um rigoroso procedimento de limpeza e desinfecção, afirmou a empresa proprietária.
O cruzeiro saiu da Patagônia argentina, passou por algumas ilhas remotas do sul do Atlântico e depois seguiu em direção ao norte para chegar a Cabo Verde, na costa da África.
Devido ao surto, o cruzeiro seguiu para Tenerife, nas Ilhas Canárias, onde aconteceu uma operação de retirada e foram organizados voos de repatriação.
A operação para repatriar as pessoas a bordo do MV Hondius representou vários desafios diplomáticos para que diferentes países recebessem e tratassem os passageiros.
Cabo Verde recusou que o navio atracasse em um de seus portos e o cruzeiro permaneceu fundeado perto da costa da capital, Praia, enquanto três pessoas eram retiradas para o transporte até a Europa de avião.
O governo central da Espanha teve que negociar com a administração regional das Canárias para que o navio entrasse em Tenerife.
O contágio inicial de hantavírus acontece por exposição à saliva, urina ou fezes de roedores infectados, em geral em ambientes fechados. A doença é endêmica na Argentina, onde a viagem começou.
Os infectados apresentam a cepa Andes, a única documentada que pode ser transmitida de pessoa para pessoa.
C.Griffiths--MC-UK